domingo, 25 de dezembro de 2011

Turismo Itaipu ganha uma nova atração: test drive com o veículo elétrico

O projeto ligado à responsabilidade tecnológica e ambiental - inédito no país - entra em operação no dia 20 de janeiro


Conduzir um veículo que não polui, não faz barulho, e ainda trafegar por alguns dos cenários mais impressionantes da usina. O test drive em veículo elétrico, antes coisa de revista e privilégio de poucos, agora faz parte dos atrativos do Complexo Turístico Itaipu (CTI), estando ao alcance de todos. Lançado em de dezembro, o test drive no veículo elétrico começa a operar em 20 de janeiro.

A implantação é resultado de constantes questionamentos dos próprios visitantes de Itaipu. “As pessoas têm muita curiosidade. O turista vê o projeto no vídeo e depois quer saber mais informações e se é possível conhecer o veículo e dirigi-lo”, explicou a gerente geral do Complexo Turístico Itaipu, Jurema Fernandes.

Para o test drive, serão disponibilizados três protótipos do Projeto Veículo Elétrico (VE), todos modelos Fiat Palio Weekend. Os monitores serão treinados pelos próprios coordenadores do projeto VE. Além deles, os operadores comerciais e de caixa serão capacitados para que conheçam o novo atrativo.

O passeio terá duração média de 1h40 e começa com a exibição do filme, seguida de uma apresentação sobre o projeto. A saída do CRV será conduzida pelo monitor instrutor, que apresentará o comportamento do VE e repassará as orientações para condução. No estacionamento do Parque da Piracema, o visitante assume a direção do veículo elétrico. O passeio pela usina tem duração de uma hora e segue o mesmo roteiro da Visita Panorâmica.

A nova modalidade de passeio acontecerá diariamente, às 9h, 10h, 14h e 15h. Caso a demanda seja intensa, os horários poderão ser ampliados. Para contratar o serviço é imprescindível que o visitante apresente a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) válida – com a categoria B - e assine um termo de responsabilidade.

O test drive é limitado a quatro pessoas no mesmo veículo, sendo possível que três destas conduzam o VE durante o percurso. A tarifa será de R$ 150 por saída, mas até o dia 29 de fevereiro haverá desconto promocional de 50%. O valor será o mesmo, independentemente do número de passageiros.

O novo atrativo, inédito no país traz boas perspectivas. Um dos responsáveis pela implantação do atrativo, Juliano Luiz Hoesel comemora: "Este novo atrativo vem de encontro com o que o CTI busca, que é a inovação. É um produto diferenciado e novo, que desperta o interesse de muitos visitantes. Estamos otimistas para que seja bem aceito pelo mercado e tenha muito sucesso”.


domingo, 23 de outubro de 2011

20 anos depois, ex-perseguidos políticos são julgados por Caravana da Anistia



Que esses crimes sejam reparados não só por indenização, mas pelo resgate da honra e memória de todos os que sofreram com as ações de agentes do estado durante a ditadura militar”, desculpou-se, em nome do Estado, o ministro da justiça José Eduardo Cardozo. A declaração aconteceu na última sexta-feira (14), durante a 52ª Caravana da Anistia realizada em Foz do Iguaçu – PR. A sessão apreciou os requerimentos de anistia política de sete ex-perseguidos políticos no Paraná, entre eles os iguaçuenses Hélio Urnau (estudante na época da prisão) e Luíz Carlos Campos (comerciante).

Entre os esforços do governo para identificar opressores e reparar as vítimas da ditadura, o ministro lembrou que tramita no Senado um projeto de lei que contempla a Comissão da Verdade que deve ser aprovado nos próximos dias.

Atualmente a lei brasileira prevê dois tipos de reparação por danos, o moral e o econômico. No primeiro caso, quando o estado reconhece o direito de anistia, o requerente recebe a declaração de anistiado político. Já a reparação econômica é concedida para aqueles que tinham vínculo laboral, ou seja, ficaram sem o emprego, neste caso o estado deve pagar uma prestação mensal permanente no valor correspondente ao cargo que ele ocuparia se estivesse na ativa.

Prejudicados pela ditadura que não possuíam vínculo de trabalho, mas mesmo assim foram prejudicados, podem receber o montante de uma só vez, a chama prestação única. O valor neste caso não supera o montante de cem mil reais.

Reparações à parte, um dos momentos de grande emoção foi durante a entrega do certificado de anistia política aos ex-perseguidos no Paraná, moradores de Foz, Edésio Franco Passos, diretor administrativo da Itaipu Binacional e Aluízio Palmar, Presidente do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular.

Entrega do Certificado de Anistia à Passos e Palmar

A Comissão da Anistia do Ministério de Justiça exite desde 2002. Até agora mais 60 mil dos 70 mil processos foram julgados, havendo além do pedido oficial de desculpas do Estado, a reparação econômica para alguns casos.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Propaganda pode levar à morte?

Assunto polêmico este, que ganha profundidade no filme “Obrigada por fumar”. Sob a perspectiva de um legitimo lobista, Nick Naylor, representando os interesses de uma sociedade a fim de influenciar milhares de pessoas a consumirem o tabaco, a sinopse trata o poder de comunicação como uma arma.

Na munição argumentos, ao invés de negociação. Assim, persuasivo Naylor, consegue vencer incansáveis debates, numa constante batalha contra os antitabagistas. Numa delas, diante de um adolescente, uma vítima jovem do letal cigarro, consegue mudar a ideia de milhões de espectadores sobre um mesmo assunto. A saída? Argumentos mais uma vez. O artifício utilizado para persuadir estava na constituição. Propondo a liberdade de escolhas, o livre arbítrio de decidir por aquilo que se quer consumir ou não, avalia o cigarro como uma opção.

Quem é vivo corre o risco de morrer à qualquer momento, independente de isto ser uma escolha ou não. Para Naylor a morte pode acontecer à qualquer momento, inclusive independente de nossas escolhas, porquê não aproveitar o hoje?

Logo temos um paradigma: afinal até que ponto nossa liberdade depende de nossas próprias escolhas sem influências externas, no caso, a propaganda. Somos induzidos o tempo todo pela mídia, induzidos a acreditar numa realidade montada, criada, idealizada. A escolha é realmente nossa? Ou somos influenciados a escolher por isso?

Sobre este mesmo tema, escolhas, o filme trás ainda outra questão: Se sabemos que o cigarro é letal, porque estampar as caixas com imagens que comprovam isso?

Essa é a visão de um lobista representando os interesses de uma empresa, mas quem consome o cigarro acredita realmente que ele leva à morte? Qual é a ideia transmitida? Morte? Não. Sedução, socialização e mais do que isso, a certeza de ser aceito. É aquele velho ideal de parecer rebelde, independente, de saber o que faz, de correr riscos!

Que a mídia é sustentada pela publicidade todos sabem, isso porque a publicidade é muito clara. Mas e a propaganda ideológica, todos sabem? Certamente não. É a chamada propaganda de ideias, onde as pessoas não percebem que estão sendo doutrinadas.

No filme isso fica bem claro. Perseguindo seu ideal de incentivar ao consumo para garantir o seu sucesso, o protagonista suborna o cinema em Hollywood, para que este estampe subliminarmente em seu roteiro, o consumo do cigarro. Neste aspecto o filme deixa claro como funcionam os diversos segmentos da sociedade atual, movidos por lucros e vantagens.

A força de manipulação de escolhas é reforçada o tempo todo. Mas, não é apenas o popular Nick que é um mestre nesta arte. Herther Holloway, uma reconhecida jornalista, consegue extrair do lobista todas as suas estratégias e tramas. Atuando da mesma forma que ele na persuasão, sem o convencer de nada, apenas utilizando argumentos. No caso a sedução, para fazê-lo sentir-se à vontade, sem a obrigação de ter de convencê-la de nada.

Uma das perguntas feitas pela repórter que obteve maior repercussão consiste em indagá-lo sobre o que o motiva. A resposta: controle demográfico.E foi com essa afirmação, não intencional à princípio, que a jornalista escreveu sobre ele. A matéria, regada por tudo que o lobista comentou durante a conversa, digamos que nada convencional, foi parar na mídia sendo amplamente divulgada.

Não bastante, o sultão da manipulação (como caraterizou-se em uma conversa com o filho), foi sequestrado e provou do 'próprio veneno'. Com diversos adesivos de nicotina colados pelo corpo, ficou entre a vida e morte. Mesmo assim, novamente reforçou os pontos positivos daquele que constitui o seu meio de trabalho, como vice- presidente da Acadêmica Americana de Estudos sobre o Tabaco. Afirmou que o fumo salvou sua vida.

Entre tantos protestos e reflexos de uma realidade até então desconhecida e incrédula, ele chega a perder o posto de um dos principais lobistas da indústria do cigarro. Tornando-se ao final do filme um defensor do movimento antitabagista.

Todo o roteiro ensina mais que convencer ideais divergentes sobre um mesmo assunto. Demonstra como o discurso é utilizado para influenciar pessoas, e ainda o impacto disso na sociedade. Mostra como funciona o mercado do cigarro, mas também o do álcool e das armas, discutindo assuntos complexos da sociedade moderna. Mostra o valor da vida, dos valores, da moral e da ética, diante do dinheiro. Uma crítica inteligente, que não exibe uma cena sequer com personagens fumando.